IBRAHIM MIRANDA


Caballo. Madrid

Acrílico sobre Tela  Ι 120x120 cm Ι 2007
7.000 €
 

IBRAHIM MIRANDA


Ibrahim Miranda é um dos mais proeminentes artistas plásticos de Cuba, com renome internacional. Pintor, gravador e professor, é natural de Pinar del Rio e licenciou-se no Instituto Superior de Arte em Havana. Pertence a uma geração de artistas cuja intervenção nas artes visuais cubanas foi estimulada pela urgência em abordar a "sensação de abandono causada pelo êxodo em massa das gerações anteriores",  que ocorreu particularmente na década de 1990, durante o chamado "período especial" da crise política e económica (devido à dissolução da União Soviética). Miranda já tinha contribuído para reformular paradigmas estéticos da nação. Tornou-se "profundamente envolvido no re-exame conceptual e formal da gravura."

Em 1993, começou a trabalhar em Las Islas de Cuba (As ilhas de Cuba), um projeto que se tornaria a base para a Série de Mapas que desenvolveu durante mais de 15 anos. Inicialmente, o processo era simples: rasgou as páginas de um atlas de Cuba e reorganizou essas folhas de forma a criar uma grande tela e assim servir de base aos seus desenhos cartográficos.
O título da primeira série - Noche Insular: Jardines Invisibles, foi inspirado pelo poema com o mesmo nome de José Lezama Lima, que descreve a ilha como um lugar encantado em estado de metamorfoses infinitas. No espírito da poesia e do mito, o artista reinterpreta o tema da insularidade, enfatizando condições de instabilidade e vulnerabilidade como marcas indeléveis de posição geográfica de Cuba. Os seus mapas coloridos evocam o seu processo criativo e de procura e informam-nos que " habitamos num território estruturalmente inseguro, provisório, em mudança constante" que não é tão dogmático como cartografia científica mostra. O rearranjo constante dos mapas foi a maneira de apelar aos falsos totalitarismos e ideologias. Transgredindo a precisão, ele descobre formas nas estruturas sólidas das cidades e "transforma as fronteiras de Cuba num pequeno animal invertebrado."
Miranda também reinterpreta outros lugares descobertos nas suas viagens. Ele aplica grelhas, desenha formas, traça linhas nas ruas de Paris, Tel Aviv ou Washington de forma a criar cidades-ilha, construídas a partir de um estado de espírito. Os planos de cor são apresentados em vários tons de vermelho, laranja, verde, azul e amarelo. Algumas referências topográficas são perdidas, outras realçadas pelo uso de cores e contrastes brilhantes que esculpem novas formas. As cidades são uma desculpa para inventar metáforas e manipular o espaço, revelando o seu instinto animal de sobrevivência escondido. As transformações em jacarés, lagartos, baleias, cavalos elefantes mostram-nos como cada mapa é um território obscuro, não confessado do nosso passado. Esta geografia amorfa é o que nos define como seres humanos, é uma história que carregamos dentro de nós para conhecer o nosso eu interior. Na expansão das fronteiras e limites físicos de origem, o artista faz os mapas universais.
De acordo com Miranda, os seus achados cartográficos (ou mapa glifos como ele os chama) "são uma espécie de bestiário urbano: muitos animais se podem destacar dentro de uma grande cidade. Uma pequena parte da cidade pode ser transformada em alces, cavalos, elefantes, porcos ou cavalos-marinhos... utopia urbana é saber que a partir das linhas duma cidade eu encontro animais despercebidos, aleatórios que emergem e caminham pelos continentes".  Como os mapas físicos se tornam ilhas coloridas, o artista reforça assim o seu próprio local de nascimento onde “as fronteiras de espaço e as fronteiras políticas caracterizam a sua insularidade ".
Os trabalhos de Miranda integram coleções públicas e privadas, tais como a coleção permanente do Museu de Arte Moderna (MOMA) de Nova York, o  Museo Nacional de Bellas Artes e Casa de las Américas, em Cuba, Fundação Thyssen-Bornemisza Contemporary Art, em Madrid, e o Museu Apeldoorn, na Holanda.   (Fonte: Aotaart)


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